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sábado, maio 3

RETROCEDER

Capitulo 6 ou 5.



                    Estava chegando, me veio a cabeça a frase do menino negro "Por que estão fazendo isso com ele?" e a resposta de sua mãe "é Bandido!"

              O ônibus parou em frente a empresa. Duas equipes de televisão me aguardavam na porta do trabalho, o meu primeiro dia . Eles avançaram, era noticia fresca, os microfones encostaram em minha face marcada e dolorida, me esquivei, entrei no prédio.

              Um gigantesco centro empresarial, a recepcionista logo me reconheceu, negra de cabelos lisos e rosto fino e um sorriso maravilhoso, seu uniforme azul a tornava mais bela eu sempre tive uma queda por mulheres de minha cor. Me explicou todas as normas do centro empresarial e me entregou o crachá da empresa e disse.
               - No final do corredor tem um salão, estão te aguardando lá!     
               Venci o corredor com facilidade. Na porta do salão estava escrito "PUSH", abri  e dezenas de pessoas todas vestidas com o mesmo traje que era idêntico ao meu, camisa branca e calça jeans, começaram a aplaudir e gritar o meu nome.

                -JOÃO! JOÃO! JOÃO!  

                Em uma hora conheci todos os meus colegas de trabalho e seus olhares denunciavam o sentimento de dó.

                 O único que se mostrou indiferente, um alemão e meu gerente. 

                 - Olha para frente menino.

                 João Pedro é meu nome  e tenho 19 anos e sou técnico em informação.  
                     




Capitulo 5 ou 4.


               Cinco e meia da manhã, o sono fugiu, o relógio estava para despertar  as seis, olhei no espelho e vi o meu desformado rosto, toquei com a língua meus lábios e senti dor. Tirei meus trajes de dormir, fui para o chuveiro, lavei-me com cuidado, sentia dores nas costas e nas pernas, sai do banheiro com a toalha enrolada na cintura coloquei minha camisa branca, calça jeans e um tênis. Na cozinha ouvi barulho de louça sendo lavada, era minha viúva mãe dando o inicio ao preparo do café.

                 - Tá quase pronto filho!
       
                 Depois de um tempo sentei e tomei o café.

                  - Filho eu tenho dinheiro! Pega um taxi - Disse minha mãe

                  - Não mãe!

                  - Posso arranjar alguém para te levar!

                  - Decidi que iria trabalhar hoje e vou fazer o mesmo percurso! Tenho Que fazer!

                   - Toma cuidado! Só tenho você!

                   - Vai dar tudo certo!
                   Olhei pela janela e vi a equipe de televisão a alguns metros do portão de minha casa, peguei uma escada no quintal e encostei no murro do fundo e pulei com facilidade. Desci a rua e atravessei a estrada que separava a favela do Guaru para o bairro Altos dos Anjos.

                   Sou uma celebridade dos telejornais, apareci em todas as televisões deste pais.É normal que todos os olhares me acompanhavam . Ainda bem que há poucas pessoas nas ruas.

                   Parei em frente à farmácia, estava fechada, um bilhete em papel sulfite anunciava "Ficaremos fechados nos próximos dias" Caminhei dois metros e vi as marcas do meu sangue na calçada. Olhei para a padaria e vi um dos meus agressores, ele me notou, abaixou a cabeça e entrou.

                   Não havia mais nada a fazer naquele lugar, parti em direção ao ponto de ônibus, para minha surpresa encontrei aquela senhora negra e seu filho. Em sua inocência ele disse!

                   - Olha mãe é aquele menino!Ele não é bandido não!

                   E os olhos de sua mãe se encheram de lagrimas, ela tentou se desculpar, não encontrou palavras, havia gagueira e choro, aproximei, abracei e falei ao seu ouvido bem baixinho.

                    - Qualquer um teria pensado a mesma coisa! A senhora não precisa se desculpar! Estou aqui e estou muito bem!



Capitulo 4 ou 3.


                    Já era noite! Retornava para minha casa do pior dia da minha vida, o carro da policia era apaisana. Enganamos os repórteres saindo pelo fundo da delegacia. o trajeto não era longo. A pequena favela do Guaru já estava próxima,  as centenas de metros foram percorridos em minutos e já enxergava a bagunça na minha rua, a imprensa escrita e falada, urubus em busca de carne fresca,  os flashes explodira antes do carro parar, sai do carro e como hienas foram em minha direção, todos perguntavam ao mesmo tempo as mesmas perguntas e com simplicidade disse apenas duas palavras.

                     - Com licença!

                     Um corredor polonês se abriu e no portão lá estava ela, a mulher mais importante da minha vida, aquela que pagou meus estudos, meu material escolar. Suas lagrimas eram visíveis a todos nos encontramos no mais apertado dos abraços.

                     - Fui lá filho! Não deixaram te ver! Vi pela televisão! 
Bandido te chamaram de bandido! De ladrão! 

                     E outra explosão de flashes aconteceu.

                    - Vamos entrar! Vamos conversar longe deles!

                    Ela falou, falou e chorou, achou que ia me perder e com meus lábios inchados beijei sua testa, não me importei com a dor e pela primeira vez no dia chorei.

                   Passaram-se horas e ela retirou-se para seu quarto, liguei a televisão e nos telejornais eu vi as duas cenas que marcaram o dia de hoje, mudei de canal a caminhada dos mortos era o nome da série em poucos minutos percebi que os verdadeiros monstros eram os vivos!    




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