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quarta-feira, setembro 21

Barata Pobre.


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 \                  / 
\               /
Pobre da barata,
Que corre pela sala,     
A mão que joga o chinelo,
É seu juiz, seu carrasco.
Pobre da barata,
o crime  a ela atribuído,
foi ter nascido.....
pobre
.
  

sexta-feira, julho 29

Mal de pessoas que se acham melhores que outras pessoas.

Descobri uma nova doença!

Mal de pessoas que se acham melhores que outras pessoas.

Os sintomas estão logo abaixo:

Fala muito sobre si mesmo,

Acredita que não comete erros,

Culpa sempre os outros,

“Se for do gênero masculino” Se acha o macho alfa,

Seus comentários são para ridicularizar outras pessoas,

Acredita ser esperto,

Acredita que as pessoas o invejam,

E sempre repetem as mesmas frases “Sou mais eu”, “sou o cara”, “sou fodão”.

Creio não existir nenhum remédio controlado para este mal!  


quarta-feira, abril 6

A melhor hora!

A melhor hora é aquela em que o dia se encontra com a noite.O céu avermelhado e minhas pernas cansadas. Minha casa está logo ali. Dentro dela o que realmente importa!




sábado, agosto 22

ALGUMAS SÃO DROGAS




NOVAS MENTES

Os livros estão fechados,
Estantes empoeiradas,
Bibliotecas vazias
Coitadas da poesia,
da filosofia

Sementes precisam ser plantadas
em arvores, postes e murros.
sementes escritas, pintadas
e grafitadas.

Talvez a  mente de muitas
pessoas floresçam
com novas e belas
ideologias

novos semeadores
novas sementes

sábado, abril 18

Meu desejo.

Vejo no brilho
dos olhos de
meu filho
vícios e virtudes
de meu passado.

Ele corre,
pula,
brinca
de um jeito,
de um jeito....

Meu desejo,
com olhos cansados,
é ver seu futuro
melhor que meu

passado

quinta-feira, abril 16

CANTINHO DA POESIA.


É logo ali ...

    As folhas de papel

      em um varal,

        uma parede.

         Grandes mestres

     misturam se com

desconhecidos.

   Basta você entrar,

      ler e se


        apaixonar.

sábado, janeiro 10

Lugar mágico.


Quando eu e meus primos passamos pelos portões enferrujados, vi flores gigantescas, anões passeavam de um lado para o outro, casinhas de um cômodo apenas na cor de terra, com telhas de cerâmica.


Não me lembro o que fui fazer lá! Muitas lembranças são bem claras, os sorrisos enrugados, os cabelos brancos, as mãos manchadas, pessoas felizes ao ver crianças. Não vou mentir de alguns tive medo!

O clímax foi quando entramos em uma casinha, a dona se vestia com roupas de cigana, sentei em uma cadeira no meio do cômodo, e ela começou a benzedeira, disse palavras estranhas e tocava minha nuca e em minha cabeça infantil percebi que a cem metros de minha casa, depois da rodoviária existia um lugar mágico.

Cresci, mudei de casa, casei, mudei de casa e mudei de casa,  certa vez, depois de décadas, passei novamente pela rua da rodoviária e vi o terreno vazio. Hoje um grande hotel sendo construído.

As flores gigantes eram girassóis, os anões eram anões comuns, e aquela senhora vestida como cigana era uma velhinha. Pessoas simples com sorrisos mágicos.

segunda-feira, novembro 3

Nunca vi passarinho inimigo de passarinho.

Depois deste inverno politico
onde muitos passarinhos 
se refugiaram em seus ideias.



Alimentados pela janela
do mundo que vomitava
sementes de ódio, rancor 
e preconceito.

Nunca vi passarinho
inimigo de passarinho.
E o lobo está a espreita.



E que naquela árvore
os passarinhos de todas
as cores se encontrem
para comemorar
      a próxima primavera.    
      

terça-feira, outubro 28

Cantar aquela canção!

Como é fácil odiar
O que não se entende
As cores!
Os jeitos! 
Os pensamentos!
O diferente!
Vejo ódio nas
Pessoas odiadas,
Elas não querem
Ficar caladas,
Devolvem as mesmas
Pedras que lhe foram
Jogadas.
Pedra,  
bala, 
palavra 
ou ação
produz apenas munição
Queria caminhar entre
os extremos.
Cantar aquela canção!


sexta-feira, outubro 10

Geração......

Entre uma legião
e grandes  titãs
uma moto vai
para capital.

Meus heróis
não morreram
de overdose.

Marvin e João
vive na cabeça
desta geração.

Entre loiras geladas
e rádios piratas
não entendiamos
Chicos e Caetanos.

Nosso astronauta
era de mármore,
ainda uso óculos.

.... continua a feder,
sem nenhuma
ideologia.

É...ficaram apenas
os bichos escrotos
e os cidadães
civilizados.


sábado, outubro 4

Eternidade

Se a alma se acaba com o corpo,
Terei alguns anos,
talvez décadas.

Se a alma é o espírito
Ela se soltara.
só alguns poderão me ver
e olha lá! 

E se for pensamento
Tenho uma pequenina,
Minúscula chance
De ser eternizado.

quinta-feira, setembro 18

CANTINHO CHAMADO ESPERANÇA

os anos se passaram
e por você ainda há 
tristeza.

 posso ter saudades
 posso sentir amor
sei que você está 
neste cantinho.
em seu sono

seu rosto me foge
em minhas memórias.
queria ter ouvido
sua risada,
segurado sua mão.


brigado da mesma   
forma que brigo 
com teus irmãos.

queria....

queria ter fé!
para um dia
te encontrar.    
                               


      
                                                             

domingo, setembro 14

Meu pai! Minha mãe!

Quando era criança,
tudo era grande.
Meu pai, Minha mãe,
o mercado, a praça,
a televisão, a pia,
coisas, lugares e pessoas
os olhos de adulto
diminuíram os lugares,
reduziram as coisas
e a percepção me fez
enxergar hoje grandes,
de outra forma, 
pessoas que não 
estão mais aqui.
E outras que o tempo
parece diminuir.
Em especial 
Duas! 

sábado, agosto 16

Devaneios alucinantes

Não vejo o sol!

Não vejo a lua!

Há razão me foge

em loucuras de amor

e desejo.


Seus negros olhos!


Seus cabelos lisos!


As vezes mulher!

As vezes menina!


As vezes sereia!


Rainha dos rios,


eu respondo


ao seu doce cantar


Em devaneios alucinantes


Mitos e verdades


Misturam-se


em meus neurônios

terça-feira, julho 22

A vida

Alguém - Tudo bem?
Eu - Tudo ótimo!
Alguém- Nossa! Por que?
Eu - Porque precisamos enganar a vida!



sábado, maio 3

RETROCEDER

Capitulo 6 ou 5.



                    Estava chegando, me veio a cabeça a frase do menino negro "Por que estão fazendo isso com ele?" e a resposta de sua mãe "é Bandido!"

              O ônibus parou em frente a empresa. Duas equipes de televisão me aguardavam na porta do trabalho, o meu primeiro dia . Eles avançaram, era noticia fresca, os microfones encostaram em minha face marcada e dolorida, me esquivei, entrei no prédio.

              Um gigantesco centro empresarial, a recepcionista logo me reconheceu, negra de cabelos lisos e rosto fino e um sorriso maravilhoso, seu uniforme azul a tornava mais bela eu sempre tive uma queda por mulheres de minha cor. Me explicou todas as normas do centro empresarial e me entregou o crachá da empresa e disse.
               - No final do corredor tem um salão, estão te aguardando lá!     
               Venci o corredor com facilidade. Na porta do salão estava escrito "PUSH", abri  e dezenas de pessoas todas vestidas com o mesmo traje que era idêntico ao meu, camisa branca e calça jeans, começaram a aplaudir e gritar o meu nome.

                -JOÃO! JOÃO! JOÃO!  

                Em uma hora conheci todos os meus colegas de trabalho e seus olhares denunciavam o sentimento de dó.

                 O único que se mostrou indiferente, um alemão e meu gerente. 

                 - Olha para frente menino.

                 João Pedro é meu nome  e tenho 19 anos e sou técnico em informação.  
                     




Capitulo 5 ou 4.


               Cinco e meia da manhã, o sono fugiu, o relógio estava para despertar  as seis, olhei no espelho e vi o meu desformado rosto, toquei com a língua meus lábios e senti dor. Tirei meus trajes de dormir, fui para o chuveiro, lavei-me com cuidado, sentia dores nas costas e nas pernas, sai do banheiro com a toalha enrolada na cintura coloquei minha camisa branca, calça jeans e um tênis. Na cozinha ouvi barulho de louça sendo lavada, era minha viúva mãe dando o inicio ao preparo do café.

                 - Tá quase pronto filho!
       
                 Depois de um tempo sentei e tomei o café.

                  - Filho eu tenho dinheiro! Pega um taxi - Disse minha mãe

                  - Não mãe!

                  - Posso arranjar alguém para te levar!

                  - Decidi que iria trabalhar hoje e vou fazer o mesmo percurso! Tenho Que fazer!

                   - Toma cuidado! Só tenho você!

                   - Vai dar tudo certo!
                   Olhei pela janela e vi a equipe de televisão a alguns metros do portão de minha casa, peguei uma escada no quintal e encostei no murro do fundo e pulei com facilidade. Desci a rua e atravessei a estrada que separava a favela do Guaru para o bairro Altos dos Anjos.

                   Sou uma celebridade dos telejornais, apareci em todas as televisões deste pais.É normal que todos os olhares me acompanhavam . Ainda bem que há poucas pessoas nas ruas.

                   Parei em frente à farmácia, estava fechada, um bilhete em papel sulfite anunciava "Ficaremos fechados nos próximos dias" Caminhei dois metros e vi as marcas do meu sangue na calçada. Olhei para a padaria e vi um dos meus agressores, ele me notou, abaixou a cabeça e entrou.

                   Não havia mais nada a fazer naquele lugar, parti em direção ao ponto de ônibus, para minha surpresa encontrei aquela senhora negra e seu filho. Em sua inocência ele disse!

                   - Olha mãe é aquele menino!Ele não é bandido não!

                   E os olhos de sua mãe se encheram de lagrimas, ela tentou se desculpar, não encontrou palavras, havia gagueira e choro, aproximei, abracei e falei ao seu ouvido bem baixinho.

                    - Qualquer um teria pensado a mesma coisa! A senhora não precisa se desculpar! Estou aqui e estou muito bem!



Capitulo 4 ou 3.


                    Já era noite! Retornava para minha casa do pior dia da minha vida, o carro da policia era apaisana. Enganamos os repórteres saindo pelo fundo da delegacia. o trajeto não era longo. A pequena favela do Guaru já estava próxima,  as centenas de metros foram percorridos em minutos e já enxergava a bagunça na minha rua, a imprensa escrita e falada, urubus em busca de carne fresca,  os flashes explodira antes do carro parar, sai do carro e como hienas foram em minha direção, todos perguntavam ao mesmo tempo as mesmas perguntas e com simplicidade disse apenas duas palavras.

                     - Com licença!

                     Um corredor polonês se abriu e no portão lá estava ela, a mulher mais importante da minha vida, aquela que pagou meus estudos, meu material escolar. Suas lagrimas eram visíveis a todos nos encontramos no mais apertado dos abraços.

                     - Fui lá filho! Não deixaram te ver! Vi pela televisão! 
Bandido te chamaram de bandido! De ladrão! 

                     E outra explosão de flashes aconteceu.

                    - Vamos entrar! Vamos conversar longe deles!

                    Ela falou, falou e chorou, achou que ia me perder e com meus lábios inchados beijei sua testa, não me importei com a dor e pela primeira vez no dia chorei.

                   Passaram-se horas e ela retirou-se para seu quarto, liguei a televisão e nos telejornais eu vi as duas cenas que marcaram o dia de hoje, mudei de canal a caminhada dos mortos era o nome da série em poucos minutos percebi que os verdadeiros monstros eram os vivos!    




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sábado, julho 6

Não me deixe mais adormecer

Acordei!!
Nós acordamos!
Foram muitos anos adormecido,
eu não acreditava nesta juventude,
achava apolítica, achava apartidária.
Eles não tinham partido a recorrer
Nem políticos
Foi muito irônico! Um quinto de real!
Um quinto!
E a ruas eram deles!
Por meio de tecnologia,
o grito foi ouvido em todo país.
Mais ruas foram tomadas.
As ruas se transformaram em cidades
E as cidades em estados.
E meu despertar foi imediato!
Vi sombras nas cuias inversas,
Vi jovens mergulhando no espelho D’água do poder.
"Eles"ficaram com medo
Dois mil!
Trezentos mil!
Um milhão!
Alguns mascarados outros não!
Agora devemos ficar alerta.
Do forno saíram proposta
Com muita muzzarela
E um pouco de gorgonzola!
E  um único pedido eu faço.

Não me deixe mais adormecer

sábado, junho 15

A VELHA CANÇÃO

Não há muito tempo
O som de uma velha canção
Manifestava o porque  falar
Sobre as flores.
Caminhamos e cantamos
Para o bem desta nação.



A algum tempo.
Só falamos sobre as flores
e amores.
Caminhamos e cantamos
em outra direção.

Hoje a alienação.
Muitos esqueceram a velha canção.
O porque falar das flores.
Sem arma na mão.

Os soldados estão armados.
Poucos cantam a velha canção.
Uma pequena flor nasce.
Para o bem desta nação.
caminhando e cantado
e flores nas mãos.
Em alguma direção.

quarta-feira, junho 12

Olhar



Não faz muito tempo!
Uma menina segurava um livro,
E u nem imagino o titulo,
Olhares se encontram,
E muito acontece!
Algo diferente,
Difícil de encontrar
Em outro olhar
A menina se torna mulher
Eu! Sempre o mesmo menino
A sonhar...
Hoje! Continuo a olhar,
A menina mulher,
Que todos os dias,
Tentarei conquistar.

domingo, junho 2

Adolescência


No tempo!
Que já não eramos
crianças, nem adultos,
sempre com os olhos no canto,
olhando e olhando se ela estava 
notando.
Eramos rebeldes! 
daqueles bem sem causa.
nossos ídolos moravam longe!
um oceano de distância!
jogar bola de manhã,
estudar a tarde,
e paquerar a noite,
é uma pena,
que passa e passa,
este tempo!


domingo, março 17

As três perguntas de Adolf.


As três perguntas de Adolf.

A professora Elaine entrou em seu apartamento, chateada com o diretor que lhe chamou a atenção, por falar sobre a política atual a seus alunos. Jogou a pasta com as redações de seus estudantes no sofá, foi até a cozinha e voltou com um copo de água, precisava corrigi-las; escolher uma para enviar a secretaria de educação, era um concurso e o tema “um Herói”, sentou, abriu a pasta e retirou um aleatoriamente.

                                                      30 de junho de 1978
Nome: Klaus Müller
Trabalho de historia
Um Herói

O ano era 1945, meu pai tinha minha idade, loiro de olhos azuis, foi criado pelo avô materno, mas com a morte do mesmo foi abrigado a morar com o pai, mudou se para uma cidade próxima de Berlim do lado oriental.
Meu avô era tradutor, falava vários idiomas, mas não trabalhava para o governo, sua casa era toda feita de madeira, um sobrado com Sótão, morava em uma estradinha e a casa mais próxima era a cem metros de distância.
Na primeira noite meu avô foi até o quarto dele disse.
- Adolf! Se você ouvir qualquer tipo de barulho não se preocupe, tem uma família morando em nosso sótão.
- Uma família? Perguntou meu pai.
- Sim! Uma família! Uma família judia!
- Mas se eles descobrirem?
- Eu e você somos presos e eles morrem!
- Mas pai?
Meu avô explicou, mas Adolf não concordava, então apareceu à grande idéia!
- Filho! Você gosta de mitologia?
- Sim!
E fez um sinal com a mão pedindo que esperasse alguns momentos e saiu do quarto, não demorou muito, em sua mão uma folha de papel.
- Foi escrito por um brasileiro, um mestiço, eu mesmo o traduzi, é a primeira de três partes. Para cada parte você terá que fazer uma pergunta.
Meu pai pegou a papel e começou a ler



Liberdade.

Prometeus foi aquele que roubou o fogo dos céus e entregou a humanidade, com este fogo os humanos cozinharam os alimentos, criaram ferramentas e armas, construíram e destruíram civilizações.
Pelo seu crime foi acorrentado na mais alta montanha e seu fígado comido por uma águia todos os dias. Prometeus era um deus que podia prever o futuro!

30.000 anos atrás.

Prometeus estava no alto da montanha, a águia já fez a sua refeição, uma nuvem se aproximou e sobre ela Zeus.
– Prometeus – Cansou de mandar seus filhos e lacaios.              
– Zeus – Você sabe o que me traz aqui.                                        
– Prometeus – Filho que ainda não nasceu e que vai tomar seu trono nos céus.
– Zeus – O nome da mãe e serei piedoso.                                                  
– Prometeus – Não quero sua piedade.                                         
– Zeus – Sua liberdade?                                                                  
– Prometeus – Isto é muito pouco.                                                 
– Zeus – Nossos pais e tios não podem ser libertados. *                  
– Prometeus – Isso não foi pedido!                                                 
– Zeus – Então diga o que queres?                                                
– Prometeus – A cada inverno, essa informação se torna mais valiosa, se minha tortura é física a sua será na alma.               
 – Zeus – Você sabe que posso te destruir.                                     
 – Prometeus – O faça e será seu mais estúpido erro.                 
 – Zeus – Que os milênios destruam seu orgulho.                              
 – Prometeus – Não sou eu que tenho pressa.

Zeus se afasta da montanha em sua nuvem.
·         Os titãs deuses que antecedem os olímpicos

Meu pai ficou muito confuso com o texto, parecia uma mini peça de teatro, releu e em seu caderno fez a primeira pergunta.

O que é mais importante que a própria liberdade?

Deitou- se, tentou dormir, mas o barulho que vinha do sótão, não deixou, eram passos, de um lado para o outro, o ranger das tabuas. Fechar os olhos e abri-los novamente pensou e disse varias vezes “Malditos judeus”.
Outro dia quando meu pai acordou, saiu à procura de uma pequena fenda no teto, vasculhou os cômodos, até que a viu, não era grande coisa, o suficiente para matar sua curiosidade, foi até o quarto e voltou com uma cadeira, não foi o suficiente, pegou outra e as empilhou, subiu nelas e aproximou seu olho direito da fenda, via apenas as luzes das lamparinas, tentou olhar dos lados, e nada via, tentou com o olho esquerdo, neste momento um pé judeu passou por cima da fenda jogando poeira em seu olho, se desequilibrou e caiu, no sótão ouviram gritos, meu avô apareceu.
- Por deus! Adolf! O que você fez! E depois disse algumas palavras em uma língua que meu pai desconhecia e subiu para o sótão.
Meu pai ficou caído no chão, seu corpo doía, teve algumas lesões leves, e raiva, por meu avô ter amparado primeiro os judeus.
Alguns momentos depois meu avo voltou, com a cara baixa.
- Eu poderia ter quebrado a perna e você os escolheu!
- Filho se eles fizerem alguma besteira nos todos estamos perdidos.
- Mas pai eles são judeus, vieram para nossa terra e enriqueceram.
- Por isso devemos tirar suas vidas? Filho! Sabe o porquê de seu nome “Adolf”. Foi uma homenagem ao nosso líder. Fui influenciado. Era membro do partido, o nazi. Depois de uma reunião, acompanhei um grupo de colegas, andamos pelas ruas escuras, éramos caçadores, movidos pela violência e preconceito, espancamos uma polaca apenas pelo prazer, eu me senti onipotente. Ai! Veio o dia seguinte, você no colo de sua mãe e a imagem da polaca sangrando, isto me atormentou, deixei o partido, me entreguei a nossa família, com a morte de sua mãe, e seu avô te querendo e tendo condições, não tive outra opção, o entreguei e decidi fazer algo, e se algo é ajudar essas pessoas que estão ai em cima.
Meu avô colocou a mão no bolso e tirou outra folha.
- Adolf! É a segunda parte!

Meu pai pegou a folha e iniciou a leitura


10.000 anos atrás

Zeus se aproximou da montanha em um cavalo alado e negro. A águia ainda estava fazendo sua refeição.
- Zeus – O grande titã já se acostumou com a dor.
- Prometeus – Aqueles que se acostumam são os mesmos que se entregam!
- Zeus – Já sabe sobre a Atlântida?
- Prometeus – Sim! Deus genocida!
- Zeus – Mais de trezentas mil pessoas.
- Prometeus – Só porque construíram um templo para me homenagear.
- Zeus – Do mesmo tamanho do meu.
- Prometeus – Por que não descarrega sua ira neste titã, lance seus raios, me faça em cinzas.
- Zeus – Você sabe que não posso.
- Prometeus – Pobre deus onipotente, não será hoje que você terá sua informação.
- Zeus – Fique em seu suplicio maldito titã.
- Prometeus – Antes de ir, diga o motivo de sua ira.
- Zeus – você preferiu amar a eles.
Zeus se afasta em seu cavalo negro.


Adolf foi ao quarto e pegou seu caderno onde estava a primeira pergunta e escreveu a segunda.

“Entre humanos e deuses! Porque escolher os humanos?”


Meu pai ficou ainda mais confuso, ele desceu e comeu um pedaço de pão e pela janela viu uma árvore repleta de frutos foi até seu quarto e pegou seu estilingue, desceu para o quintal, juntou algumas pedras, mirrou e soltou à primeira, a fruta se espatifou em milhares de pedaços e tornou a repetir e repetir, até se entediar, sentou-se abaixo de uma janela, continuava confuso, até que apareceu uma dezena de passarinhos, meu pai pegou uma pedra, mirou e não conseguiu soltar, tentou varias vezes. Por quê? O que era tão fácil se tornou tão difícil. Voltou para casa e na sala viu biblioteca eram centenas de livros organizados por titulo, foi direto nos que iniciava com “P” até encontrar “Prometeu Acorrentado – Ésquilo” e a tarde, leu e releu a peça. Os ruídos do sótão não o perturbavam mais, a noite caia. Jantou com o pai, ajudou a montar os pratos para os judeus, o acompanhou até a entrada do sótão, voltou para seu quarto. Tudo era novo e estranho.

Adolf acorda! É outro dia. Coloca os sapatos e desce para a sala, gritou seu pai da cozinha.
Ele acordou e se levantou, colocou os sapatos e roupas, e começou a descer as escadas.
- Em cima da mesa! Gritou seu pai.
E Adolf viu a folha, pegou e começou ler.

5.000 anos atrás

Zeus se aproxima andando
- Zeus – O que queres titã.
Prometeus – A humanidade livre dos deuses olímpicos e minha liberdade.
- Zeus – se explique.
- Prometeus – Cortar todo contato, eles decidiram o futuro de sua raça, as belas humanas não devem ser mais cobiçadas, suas guerras devem ser decididas por eles, entre outras coisas.
- Zeus – Eu aceito! Diga quem será ela.
- Prometeus – A filha do deus Nereu de nome Tetis!
- Zeus – O que devo fazer?
- Prometeus – Case a com o rei Peleu, mantenha a longe e sempre a sua vista.
- Zeus – Será feito! Mas...! Sua liberdade e a dos humanos só após estas coisas acontecerem.
- Prometeus – Concordo! Que as correntes e esta águia me acompanhe por mais algumas décadas, que são décadas perto de milênios.
- Zeus – Me responda meu primo, morreria por eles?
- Prometeus – Até mesmo para nós, morrer é apenas um detalhe, quando se vive por algo! Alguns seguiram meu exemplo, viveram e morreram por menos        
- Zeus – Como você! Serão tolos!
Zeus caminhou e desapareceu.
Trinta anos depois Hércules liberta Prometeus.



Adolf pega seu caderno e faz a terceira pergunta.

Devemos viver por algo?




Caminhou até a cozinha, e disse.
- Pronto aqui estão às três perguntas.
Meu avô pegou o caderno e leu, sentou-se numa cadeira.
- Filho! A história de Prometeus é uma grande metáfora sobre a vida, fala em que a gente se prende, veja essa casa, é o penhasco, o rochedo, a montanha, os judeus e você são minhas correntes, eu mesmo as coloquei e tenho orgulho disso, e a águia, a maldita águia é o medo de ser descoberto.
- E essas perguntas?
- Suas perguntas! Suas respostas!
Eles tomaram café juntos e falaram muito, sobre a vida, política e filosofia.
Alguns dias depois, meu pai e meu avô estavam trabalhando na horta, algo chamou a atenção deles, vinha da estrada, eram tanques soviéticos, foram passando na frente da casa de meu avô, no último um soldado acenou para meu pai.
- Adolf! Perdemos a guerra! Disse meu avô sorrindo.
 Naquela noite meu avô abriu o sótão e dele saiu um velho judeu, barbudo e de olhos negros, depois uma garota, catorze anos, tinha os cabelos escuros, compridos e negros, sua pele era muito branca e seus olhos verdes.
Meu pai entrou no sótão e apenas viu duas camas e uma pilha de livros, quando desceu viu os dois na sala sentados no sofá, meu avô os apresentou.
- Adolf! Este Jacob! Ele não sabe nosso idioma, e, esta sua neta Ester!
Naquela noite jantaram e pouco foi dito, com o passar dos dias meu pai percebeu que Ester gostava das mesmas coisas que meu avô. Os dois viviam falando sobre livros antigos. Em um desses dias Ester falou sobre a necessidade e a ignorância no conto de natal de Charles Dickens, meu pai foi até a biblioteca, pegou e o leu em uma noite, e descobriu porque que as pessoas se tornam em criminosos, em outro dia a discussão foi sobre o retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde, Ester dizia que Dorian enxergava sua alma no retrato, meu pai novamente foi à biblioteca, em uma outra noite estavam discutindo sobre o demônio de Ivan , em Os Irmãos Karamazov de Fiodor Dostoievski, quando uma pedra quebrou a janela da sala, eram jovens Alemães, eles gritavam.

- Morte aos Judeus!
- Morte aos amigos dos judeus!
Meu pai viu medo nos olhos de Ester, Meu avô foi até o armário, abriu a gaveta mais alta, pegou um revolver e saiu pela porta dando tiros para o alto, os jovens fugiram e meu avô disse.
- O que fizeram com esses garotos! 

No dia seguinte, Quando meu pai desceu para o café encontrou meu avô enchendo o pneu de uma bicicleta.
- Toma o café! - Disse meu avô - Preciso de sua ajuda!
E com a bicicleta ele foi chamar um amigo de meu avô, Schrader era seu nome, voltamos de automóvel, meu avô estava na varanda quando retornaram, trocou algumas palavras com seu amigo, entrou no automóvel e gritou para meu pai,
- Schrader irá ficar com vocês até eu voltar!
E meu avô partiu em direção de Berlin.
Schrader olhou para meu pai e perguntou.
- Onde está à pequena Ester?
- No escritório de meu pai, deve estar lendo.
E os dois entraram na casa, quando Ester o viu soltou o livro no chão e correu em sua direção, dando um caloroso abraço.
- Ester! Ester! Que saudades! – Disse Schrader.  
- E os outros? Todos estão bem? - Perguntou Ester.
- Alguns escondidos outros conseguimos mandar para bem longe dos nazistas, mas todos estão bem.
- E Daniel?
- O mandamos com toda família para a América, mora em Nova York com os tios.
Schrader deu dois passos para trás e Perguntou.
- O que a menina de olhos verdes estava lendo?
- Estou relendo Dom Quixote, os cento e noventa e três livros que estão na estante já foram lidos, você não tem mais alguns para me emprestar.
- Não preocupemos com isso, vamos resolver o problema, você vai poder ler todos os livros que quiser e vocês nunca mais vão ter que se esconder.
Naquele momento, Adolf percebeu que não era apenas seu pai e Schrader, havia muitas pessoas envolvidas, um grupo, talvez uma sociedade preocupada em salvar vidas, ajudar pessoas diferentes, de outra cultura, de outra raça, ajudar apenas por que era preciso ajudar. O velho Jacob desceu do sótão e quando viu Schrader soltou um sorriso, um sorriso de agradecimento.
Meu avô retornou no final da tarde. Estava agitado e alegre, Schrader, Ester, Jacob e meu pai estavam na sala. E começou a contar as novidades.
- Deu tudo certo! Depois de amanhã iremos partir! Um paraíso tropical! Onde não seremos alemães ou judeus! Seremos apenas estrangeiros! Gringos! Um país latino e americano, um país de mestiços.
- Onde Pai? Perguntou Adolf.
- O Brasil.
Dois dias depois eles estavam partindo, a princípio meu pai ficou revoltado com a viagem e quando chegaram teve uma grande dificuldade com o idioma. Ester em alguns meses dominava a língua portuguesa. Meu avô já tinha traduzido vários livros portugueses e brasileiros. Jacob se manteve ignorando a língua alemã e portuguesa.
    Com o passar dos anos meu pai e Ester se apaixonaram. Jacob era contra ao namoro, devido à religião e sua cultura. Tinha idade avançada e faleceu, alguns anos depois os dois se casaram. Mas continuaram os estudos. Minha mãe Ester formou em Letras ,literatura mundial e brasileira é professora, crítica e tradutora, é apaixonada por Machado de Assis e Clarice Lispector. Meu pai formou se em medicina se tornou obstetra era conhecido como o antártico devido o seu gosto pele cerveja e sua frieza no trabalho, trabalhava em hospitais públicos e católicos atendendo as pessoas mais necessitadas, os poucos dias que ficava em seu consultório, atendia a altas classes sociais. Meu avô como tradutor se tornou amigo de grandes escritores e artistas brasileiros, apaixonou se pela bossa nova, era amigo de Vinicius, Tom, Jorge e Elís, devido a essas amizades foi convidado a sair do Brasil pelo governo militar, Meu pai queria acompanhá-lo, Meu avô disse a ele


- Filho! Aqui você salva vidas. Lá você seria um montador em uma fabrica de automóveis, seus filhos são brasileiros. O que te prende aqui é muito maior. Se vocês me acompanharem, não vou me perdoar.
Há onze anos ele partiu, na Alemanha e Israel foi reconhecido como herói, seu nome foi colocado no “Jardim dos Justos” onde já estavam o nome de Guimarães Rosa e sua esposa. Toda semana ele mandava cartas para toda família, um dia meu pai recebeu um telefonema de Schrader, a triste noticia, meu avô tinha falecido em um acidente automobilístico. Apenas meu pai voltou para a Alemanha para enterrá-lo.
Tenho três irmãos! Todos com nomes de profetas!
Isaias Müller.
Daniel Müller.
Elias Müller.
O meu nome foi uma homenagem a um grande herói!
Klaus Müller!  Meu Avô!
Fim.


A professora Elaine fechou a redação e a colocou em cima do sofá, e começou a refletir. “As maiorias dos outros alunos escreveram sobre Tiradentes ou D. Pedro I, uma ou duas paginas no máximo. Klaus fugiu do lugar comum, mas dificilmente será eleita a melhor redação, o personagem central foi expulso pelo governo, era estrangeiro e amigo de pessoas que são contra esse governo”. Ela se levantou deu dois passos e lembrou-se das três perguntas de Adolf, voltou e pegou a redação e disse para si mesma.
- Se não aparecer outra melhor! Será esta que enviarei!

            Fim.