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domingo, agosto 24

Fantasma do Solar Gomes Leitão.



Ainda se ouve
o estalo do assoalho
nas sombras o vulto
branco a passar.

Dizem que
Está logo ali
Entre um cômodo
E outro

Seu espírito
Conhece a história
Deste lindo solar

Viu
a casa de festas
e negócios escusos
de seu pai
se transformar
em escola
e depois museu,
festa de
cultura popular.

Seu pecado
Era amar!
Amar a quem
Não podia
Amar!

Seu amor
Não era
Filho de barão!
Era pobre!
Brejeiro!

Ela foi traída!
Pelo seu pai
Surrada e
Depois emparedada!

Dizem que
no tempo de escola!
As crianças viram a
Subindo as escadas
Com um sorriso!

Alguns vigilantes
a viram e nunca
Mais voltaram

Coronel
Gomes  Leitão
Parava diante a uma
Parede e uma
Lagrima escoria
Sobre sua rígida
Face de culpa
E dor.

A ela basta
Caminhar e caminhar
Por estes cômodos
A espera de seu noivo

Que nunca ira retornar.    

sábado, agosto 23

Maria Negrinha

.Baseado no mito da cobra grande de Jacareí

Diziam os velhos
Ela come boi!
Ela come bezerro!
Até homem já comeu!

Passeava pelo
nosso rio Paraíba.
Uns diziam!
“Tinha oito metros”.
Outros !
“Mais de mil”

Alguns Católicos
Exclamavam.
“O dragão bíblico!”
Indígenas.
“Um ser encantado!”

E o padre gritou.
“Só Maria
para vencer
o dragão!”

E a imagem branca
se fez
pelas boas mãos
do artesão.

O povo da vila
de Nossa Senhora
 da Conceição
deram-lhe um manto
da mesma cor
do manto
de Vosso Senhor 

E o Padre gritou.
“Três dias
De reza
para Maria!”

E o povo se juntou
No meio da vila
de Nossa Senhora
da conceição.  
Iniciou a rezação

O mau Capitão
Viu negras e        
negrinhos
No meio da
multidão.
Disse a eles.
“Maria não
quer sua
reza não!”  

Negras e negrinhos
foram expulsos
pelo chicote e o
varão.

Com indignação
O negro velho
Com suas mãos sofridas
fez da cor de
Negro e negrinhas
 outra Maria.

Faziam um
Pai Nosso
E depois uma
Ave Maria 
Não Tinham terços,
Nem crucifixo.
Apenas as mãos
Juntas e lagrimas
Que escorriam
Pelo rosto
Até o coração.

Passaram-se
Três dias
de rezação.

Para a imagem
da vila
Fizeram um barco
Com flores e outras
Decorações.

Para a imagem
Dos negros e
negrinhos
Um cesto de bambu
E duas orações.

E o povo da vila
Riu
Da negrinha
Maria.

Neste momento
Talvez
Por previdência
Divina
O barco decorado
Afundou em
Nosso Paraíba.

O mau capitão
Jogou pau,
Seus jagunços
Pedras

Negrinha Maria
Parecia estar
Protegida e
Continuou sua
Peregrinação
Ao encontro
do dragão

Passaram-se
Sete dias
Um pescador
encontrou
Morta a cabeça
Pequena parte
Da cobra grande
Ao lado do cesto
De Maria

A negrinha Maria
Por ali
Nunca mais
Foi achada
Afundou no rio
Ou aos céus
Elevada.

Se passou
Muito tempo
Por outros
Pescadores
Uma imagem
foi achada
alguns disseram!
“parece a
negrinha Maria”
conhecida hoje
como
Nossa Senhora
Aparecida

sábado, agosto 16

Devaneios alucinantes

Não vejo o sol!

Não vejo a lua!

Há razão me foge

em loucuras de amor

e desejo.


Seus negros olhos!


Seus cabelos lisos!


As vezes mulher!

As vezes menina!


As vezes sereia!


Rainha dos rios,


eu respondo


ao seu doce cantar


Em devaneios alucinantes


Mitos e verdades


Misturam-se


em meus neurônios