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quarta-feira, dezembro 7

Maria Negrinha "A lenda da cobra grande de Jacareí"

Diziam os velhos:
“Ela come boi!”
“Ela come 
bezerro!”
“Até homem já 
comeu!”.



Passeava pelo
nosso rio Paraíba.
Uns diziam:
“Tinha oito metros”.
Outros:
“Mais de mil”.

Alguns católicos
exclamavam:
“O dragão bíblico!”.
Indígenas:
“Um ser encantado!”.

E o padre gritou:
“Só Maria
para vencer
o dragão!”.



E a imagem branca
se fez 
pelas boas mãos 
do artesão.

O povo, da vila
de Nossa Senhora
da Conceição,
deram-lhe um manto,
da mesma cor
do manto
de Vosso Senhor



E o Padre gritou:
“Três dias 
De reza 
para Maria!”.

E o povo se juntou
no meio da vila
de Nossa Senhora
da Conceição.
Iniciou-se a rezação

O mau Capitão
viu negras e 
negrinhos
no meio da 
multidão.
Disse a eles:
“Maria não
quer sua 
reza não!”.



Negras e 
negrinhos
foram expulsos
pelo chicote e o
varão.

Com indignação,
o negro velho,
com suas mãos sofridas,
fez da cor de
negro e negrinhas
 outra Maria.



Faziam um 
Pai Nosso
e depois uma 
Ave Maria

Não Tinham 
terços,
nem crucifixo.
Apenas as mãos
juntas e lágrimas,
que escorriam
pelo rosto
até o coração.

Passaram-se
três dias 
de rezação.



Para a imagem
da vila
fizeram um barco
com flores e outras
decorações.

Para a imagem 
dos negros e 
negrinhos,
um cesto de bambu
e duas orações.



E o povo da vila
riu
da negrinha
Maria.

Neste momento,
talvez
por previdência
divina,
o barco decorado
afundou em
nosso Rio Paraíba.



O mau capitão
jogou pau,
seus jagunços
pedras.

Negrinha Maria
parecia estar
protegida e
continuou sua 
peregrinação
ao encontro 
do dragão



Passaram-se
sete dias.
Um pescador
encontrou
morta a cabeça
pequena, parte
da cobra grande,
ao lado do cesto
de Maria

A negrinha Maria 
por ali
nunca mais 
foi achada,
afundou no rio
ou aos céus
Elevada.



Uma imagem 
foi achada,
alguns disseram:
“parece a
negrinha Maria”
conhecida hoje
como
Nossa Senhora
Aparecida.

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